Gosto quando a ótica muda. Outros ângulos se revelam. O diafragma abre e fecha para novos olhares. O casamento da Vivian e do Felipe me conduziu para um desses momentos, quando uma semana antes da data da cerimônia fizemos um ensaio na Igreja das Dores, em Porto Alegre.

Quem é da cidade sabe que o local se tornou um dos preferidos para se casar. Já perdi as contas de quantas celebrações registrei por lá. Porém, nunca tinha tido a experiência de explorar o templo com a luz do dia, sem a pressão de seguir o cerimonial. A minha intenção inicial era conhecer o casal. Por isso, marcamos em um café horas antes para uma conversa de alinhamento de expectativas. No fim, acabamos por conhecer outras perspectivas.

Subimos no mezanino da igreja e consegui coloca-los de acordo com a iluminação natural do espaço. A imagem se revelou linda: a Vivian e o Felipe acolhidos pelo teto repleto de arte sacra. Foi intenso. Depois, exploramos a luz da porta. Era aquele objeto que abriria na semana seguinte para trazer a noiva, completar o amor e o “sim”. E foi ele quem nos presenteou também com um contra luz fantástico. Diria que foi um ensaio inédito.

Na semana seguinte, não preciso nem dizer o quanto aqueles momentos transformaram nossa relação e deixaram as fotos leves. Estávamos os três em sintonia. Gosto disso: chegar perto, quebrar o gelo. Mudou o rumo e me inspirou.