O Paulo herdou uma fazenda em Santana do Livramento, no interior do Rio Grande do Sul. E é ali que ao lado da Natália eles encontraram a paz para namorar e também para fazer o nosso ensaio pré-casamento. Mais uma vez me vi diante de um ecossistema imersivo: os noivos, o campo, os cavalos e, depois, um bom churrasco campeiro para comemorar o dia de trabalho.

Já conhecia o Paulo desde a sua formatura. Porém, os atos da fotografia se colocam diferentes nas duas situações. Lá era próximo, mas distante. Agora, era subjetivo, mas prático. E a minha tarefa é sempre encontrar um equilíbrio entre a técnica e a aproximação. Há momentos em que enxergo e sou conectado, e outros que me jogo nas diferentes sensações que desfruto durante o meu trabalho.

Fotografar num cenário como o que fui exposto na fazenda é uma tarefa também de escolhas. A casa onde ficamos hospedados era rústica e já presenciou muitas histórias em família, enquanto nos preparávamos vi duas cadeiras antigas encostadas na parede, e os coloquei sentados ali. Na minha concepção de arte, eu não tinha como ignorá-las. Usar o pôr-do-sol, os cavalos, as misturas de cores do campo, são praticamente obrigações. Mas quando uso artifícios menos óbvios para contar uma história, permito que esses artifícios se tornem o meu ponto de vista.

Para mim, isso faz toda a diferença. E exige coragem.

 

 

Casamento